Armário de lembranças em cabeça de menina: a reinvenção da infância na lírica de Astrid Cabral
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Ferreira, Cacio José
Rafael, Iná Isabel de Almeida
Rafael, Iná Isabel de Almeida
Pós-Graduação
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Universidade Federal do Amazonas
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Resumo
A pesquisa tem como objetivo investigar o universo lírico da poeta amazonense AstridCabral,
no que tange à reinvenção da infância. O corpus de análise materializa-se em poemas
selecionados de dois livros da autora, tomados como universo de amostra: Visgo da terra (2005)
e Infância em franjas (2014), tendo em vista que, nessas duas obras, o eu-lírico é a mulher em
revisita à menina que foi um dia. Os problemas de pesquisa que nortearam o trabalho foram
assim delineados: que estratégias linguísticas e literárias Astrid Cabral utiliza, em seus poemas,
para reinventar os flagrantes da infância? Quais metáforas da poeta expressam essa reinvenção?
A pesquisa em busca de respostas para os problemas postos imerge no discurso poético
astridiano, de dicção feminina, nos quais ouve-se a voz ora da menina, ora da mulher, já que a
mulher e a menina estão frequentemente se reencontrando, em intensos diálogos. As lembranças
da infância estão eternizadas em poemas plenos de inquietude, de ecos do passado, de
descontentamento e de criticidade, o que faz com que o olhar sobre a infância tenha sempre um
tom revisionista em relação ao passado e ao presente. O embasamento das investigações conta
com os seguintes aportes teóricos: reflexões sobre a topoanálise e a poética do espaço, tal como
as define Bachelard (2008); a intertextualidade e o discurso parodístico, com base em
Samoyault (2008) e Sant‟Anna (2001); a metáfora como mecanismo linguístico e estético de
recriação da realidade, tendo como pontos de partida as considerações de Marcuschi (2000),
Lopes (1986) Sardinha (2007) e Lakoff e Johnson (2002). A pesquisa seguiu três eixos
norteadores: Astrid Cabral (a poeta), a infância (o assunto) e o olhar multifacetado (o
procedimento de pesquisa), e procura mostrar que a poeta quebra a lógica cartesiana que a
sociedade costuma imprimir nos discursos sobre a infância, contrapondo uma amarga ironia à
costumeira visão romântica a respeito do universo infantil. Com isso, Astrid Cabral poetiza os
ônus e os bônus de ser criança, especialmente de ser menina, em um mundo de silenciamentos
e repressão à figura feminina.
Abstract
The research aims to investigate the lyrical universe of the Amazonian poet Astrid Cabral,
regarding the reinvention of childhood. The corpus of analysis materializes in selectedpoems
from two of her books used as a sample: Visgo da terra (2005) and childhood in fringes
(2014), considering that, in these two works, the lyrical self is the woman who revisits the girl
she once was. The research problems that guided the work were outlined as follows: what
linguistic and literary strategies. Does Astrid Cabral use, in her poems, to reinvent childhood
flagrants? Which metaphors of the poet express this reinvention? The search for answers to the
problems posed is immersed in the Astridian poetic discourse of feminine diction, in which
sometimes the girl's voice is heard, sometimes the woman's voice, since the woman and the girl
are often meeting again, in intense dialogues. Childhood memories are eternalized in poems
full of disquiet, echoes of the past, discontent and of criticality, which makes the look at
childhood always have a revisionist in relation to the past and the present. The basis for the
investigations with the following theoretical contributions: reflections on topoanalysis and the
poetics of space, as defined by Bachelard (2008); intertextuality and parody discourse, based
on in Samovault (2008) and Sant'Anna (2001); metaphor as a linguistic mechanism and
aesthetic of recreating reality, having as starting points the considerations of Marcuschi (2000),
Lopes (1986) Sardinha (2007) and Lakoff and Johnson (2002). The search followed three
guiding axes: Astrid Cabral (the poet), childhood (the subject) and the multifaceted (the
research procedure), and seeks to show that the poet breaks the Cartesian logic that society
usually imprints on discourses about childhood, contrasting a bitter irony to the usual romantic
view of the universe childish. With this, Astrid Cabral poetizes the burdens and bonuses of
being a child, especially of being a girl, in a world of silencing and repression of the female
figure.
Descrição
Palavras-chave
Termo controlado
Poesia brasileira - Amazonas; Amazônia - Poesia
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Citação
ALVES, Hercilaine Virgínia Oliveira. Armário de lembranças em cabeça de menina: a reinvenção da infância na lírica de Astrid Cabral. 2022. 100 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus (AM), 2022.
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