A produção do espaço na metrópole manauara: vida de bairro e o cotidiano na cidade como negócio
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Capelato, Rodrigo
Lima, Marcos Castro de
Lima, Marcos Castro de
Pós-Graduação
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Universidade Federal do Amazonas
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Resumo
A cidade contemporânea vem sendo produzida sob a lógica da mercantilização, na qual o
espaço urbano deixa de ser prioritariamente um lugar de vida para se tornar um meio de
valorização do capital. Nesse contexto, a urbanização é compreendida como um processo
dinâmico e contraditório, marcado por fluxos, reconfigurações e disputas sociais, conforme a
perspectiva da teoria crítica urbana. Propomos nesse texto uma análise crítica das
transformações socioespaciais da cidade de Manaus, tomando como eixo central a relação entre
urbanização capitalista e a redefinição funcional dos bairros. A cidade passa a operar como
mercadoria, subordinando o valor de uso ao valor de troca, o que impacta diretamente a vida
urbana e o direito à cidade. No caso de Manaus, o processo de urbanização apresenta
especificidades vinculadas à sua formação histórica e ao papel da Zona Franca, que impulsionou
uma expansão urbana fragmentada e desigual. Essa dinâmica resultou na concentração de
investimentos em determinadas áreas, enquanto outras foram relegadas à marginalização
socioespacial. O bairro Nossa Senhora das Graças é analisado como recorte, por representar um
espaço estratégico na zona Centro-Sul da cidade, onde se intensificam processos de valorização
imobiliária e reconfiguração urbana. A partir da década de 1990, o bairro passou por
transformações significativas, com a expansão de atividades comerciais, verticalização e
diversificação funcional. Essas mudanças alteraram não apenas a paisagem urbana, mas
também o cotidiano dos moradores, impactando práticas sociais, relações de vizinhança e
formas de sociabilidade. O bairro, antes caracterizado como espaço de convivência e
identidade, passa a ser apropriado como mercadoria, inserido na lógica do mercado imobiliário.
O Estado desempenha papel importante nesse processo, ao viabilizar infraestruturas,
normativas e políticas que favorecem a valorização do espaço urbano. Assim, observa-se uma
articulação entre poder público e interesses privados, que contribui para a reprodução das
desigualdades socioespaciais. A mercantilização do espaço urbano provoca a desintegração da
vida de bairro, reduzindo espaços de convivência e enfraquecendo vínculos sociais. Entretanto,
essa pesquisa também aponta a existência de resistências e práticas que buscam preservar a
identidade e o sentido de pertencimento. Por fim, propomos uma reflexão sobre os limites da
urbanização capitalista e a necessidade de construir alternativas que priorizem o uso social do
espaço e o direito à cidade.
Abstract
The contemporary city has been produced under the logic of commodification, in which the
urban space ceases to be primarily a place of life to become a means of valuing capital. In this
context, urbanization is understood as a dynamic and contradictory process, marked by flows,
reconfigurations and social disputes, according to the perspective of critical urban theory. In
this text, we propose a critical analysis of the socio-spatial transformations of the city of
Manaus, taking as a central axis the relationship between capitalist urbanization and the
functional redefinition of neighborhoods. The city starts to operate as a commodity,
subordinating the use value to the exchange value, which directly impacts urban life and the
right to the city. In the case of Manaus, the urbanization process has specificities linked to its
historical formation and the role of the Free Trade Zone, which drove a fragmented and uneven
urban expansion. This dynamic resulted in the concentration of investments in certain areas,
while others were relegated to socio-spatial marginalization. The Nossa Senhora das Graças
neighborhood is analyzed as a cutout, as it represents a strategic space in the Center-South zone
of the city, where processes of real estate appreciation and urban reconfiguration are intensified.
From the 1990s onwards, the neighborhood underwent significant transformations, with the
expansion of commercial activities, verticalization and functional diversification. These
changes altered not only the urban landscape, but also the daily lives of residents, impacting
social practices, neighborhood relations, and forms of sociability. The neighborhood,
previously characterized as a space of coexistence and identity, is now appropriated as a
commodity, inserted in the logic of the real estate market. The State plays an important role in
this process, by enabling infrastructures, regulations and policies that favor the valorization of
urban space. Thus, an articulation between public power and private interests is observed, which
contributes to the reproduction of socio-spatial inequalities. The commodification of urban
space causes the disintegration of neighborhood life, reducing living spaces and weakening
social bonds. However, this research also points to the existence of resistances and practices
that seek to preserve identity and the sense of belonging. Finally, we propose a reflection on
the limits of capitalist urbanization and the need to build alternatives that prioritize the social
use of space and the right to the city.
Descrição
Palavras-chave
Termo controlado
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Citação
BOMFIM FILHO, Flávio Pereira. A produção do espaço na metrópole manauara: vida de bairro e o cotidiano na cidade como negócio. 2026. 136 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus (AM), 2026.
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